sábado, 19 de março de 2011

Lançar-se


Minha casa compartilha a solidão da minha alma.
Seus cômodos interpretam meus passos, que caminham silenciosos no assoalho, pisados por anos perdidos na solidão.
Se ouço alguém à porta, não abro.
Não cabe na casa, nem em mim: abraços, apertos de mãos, sorrisos... outros passos.
Minha alma corre a procura das velas rasgadas do barco, perdido no mar que divide sua solidão, sua imensidão impenetrável! com meu ser.
A solidão não esvazia. Preenche!
A solidão acompaha-me. Fiel.
Com ela lanço-me não só aos mares!
Lanço-me confiante em todos os espaços: etéreos, eternos... impossíveis para os que estão presos ao desassossego das gerações. Confundem-se na união com o vil metal.
Eu não ! Posso penetrar no existir e na existência...
A solidão me abre todas as portas, todos os templos: sagrados, profanos... humanos!
Meus pés podem pisar todos os assoalhos....
A solidão me acolhe na atemporalidade, onde o fim é o começo do meio que me leva de novo ao início infinito.
Nessa dialética, que toda solidão (que a própria vida ), está o meu ser.
E assim sendo, minha casa, meu lar, se chama solidão e por isso estou pronta a me lançar de qualquer abismo...

Inácia Costa
20/03/2011