sábado, 14 de maio de 2011

fim de noite, friozinho chegando e a alma querendo calor

Os dias começaram a ficar frios nos finais de tarde do outono que já inicia a chuva de folhas das árvores. O chão vira tapete!
A beleza do céu com cores indecifráveis: azuis, vermelhos, laranjas e de repente um negro cheio de pontos prateados. E isso me acalma. É o tempo paro o sol se por lá do outro lado do mundo... não sei nem a estação que pode estar lá. Acho que talvez a primavera com suas flores colorindo a vida e os corpos, ou talvez o inverno, com suas tardes de céu azul, cinzento e flocos de algodão ao jorrar do céu.
Sei que por aqui o frio começou e isso faz com que minha alma também precise de cobertor, não só a noite, mas no cair da tarde.
Ao acordar vem a dúvida: que roupa colocar? é frio nas manhãs. E lá estou eu a tentar cobrir meu corpo com roupas que possam acompanhar as surpresas do dia que começa.... nem sempre dá certo e no meio do dia meu corpo quer ficar nu. Arrancar toda roupa e deixar o sol queimá-lo......
Mas a tarde chega rápido e lá está o corpo a pedir mais roupas e eu sem saber com o que cobrir o corpo...então recorro a minha alma e ela vem aos poucos me aquecendo, até que dê tempo de chegar na minha casa e deitar-em na minha cama e cobrir-me com meu velho cobertor. É o outono que chega e a alma se alegra, mas nem sempre. Há dias em que ela pede calma e calor e hoje está assim, querendo calma, calor e que chegue logo a manhã, pra termos certeza eu e ela que o sol vai surgir e estaremos ainda por aqui.
Inácia Costa
14/05/2011

domingo, 1 de maio de 2011

Útima Tentativa

Meu corpo flutua num leito vazio de águas.
Só pedras, cascalho!
Que cortam minha carne.
Grito!
Onde estão as águas que me levarão ao mar?

Sinto o sangue vazando meu corpo,
misturando-se ao leito do rio, vazio...
Só pedras, cascalho!
Sussurro um gemido.
Onde estão as águas que me levarão ao mar?

Meu corpo flutua pra longe de minha alma.
Choca-se com as margens rochosas do rio,
e ouço, longe... longe, o lamento de um pássaro,
que num voo rasante vê meu corpo ,
rasgado, no leito do rio.

Já não gritos! Nem gemidos!
Me agarro a minha alma,
na última tentativa de estancar a dor e chegar ao mar.

filosofar: Um dia após assistir o filme O Nosso Lar

filosofar: Um dia após assistir o filme O Nosso Lar