quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um dia após assistir o filme O Nosso Lar



Há muitos anos atrás já tinha lido o livro  Nosso Lar e claro como todo leitor imaginei as paisagens descritas no livro, e eram muitas as sensacoes sentidas. Mas ao assistir ao filme as sensações foram totalmente diferentes e estranhamente sentidas no meu corpo. A leveza se tornou tão intensa que me senti flutuando por todos os lugares... era como se eu tivesse entrado na tela a minha frente e pudesse sentir como se lá estivesse. No inicio, me assustei! Mas aos poucos fui deixando que aquilo acontecesse e por um ínfimo instante estive lá...e quando o filme acabou o que me trouxe de volta foram as lágrimas que molhavam meu rosto num misto de contentamento, agradecimento, alegria e saudade!
Custei a me recompor e perceber que já estava fora do cinema e dentro do trem do metrô. E mais uma vez me lembrei da imagem que tive ao ler  o livro (nem se falava em metrô), pelo menos na cidade do Rio de Janeiro, onde morava na época. A imagem era parecida com a do trem que me encontrava agora: rápido como um avião... que eu via passar pelos céus cariocas. Eu sempre gostei de olhar para o céu, me acalma. E, assim, com essas lembranças e meio confusa, voltei a mim e percebi que o Nosso Lar é onde estamos, em qualquer momento, em qualquer lugar. Naquele trem cheio de gentes que não conhecia. Na correria da estacao Vila Mariana onde desci. Nas ruas por onde caminhava.... e de repente numa sincronia de tempos, escuto: mãe! e era meu filho que passava pela mesma rua que eu, no mesmo instante... entrei em seu carro e fomos juntos ao Nosso Lar, que naquele momento, como agora, onde estou digitando este texto, um Lar onde tenho alguém que me acolhe.
E agora sei que o Nosso Lar é aonde estivermos e ele será do jeito que estivermos naquele instante: leve, se estivermos leves, pesado se estivermos carregando a vida nas costas.
Por isso devemos saborear a brisa da manha, o brilho do sol que nos aquece, das estrelas e da lua que nos lembra que virá o amanha e sempre será assim. Sempre teremos um Lar.
Inacia Costa.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

sem título!!!

Hoje tá um dia muito estranho.... saí de casa com frio. Com saudades das cobertas.
No meio da manhã era a saudade do frio, das cobertas! Fez um calor de janeiro.... de repente a chuva caiu e pegou sem guarda chuva( se escreve assim?) e mais uma vez senti saudade das cobertas, senti frio...e quando já me conformava com a chuva, de novo o céu ficou azul e o calor voltou... e aí, foi a saudade do calor de um abraço, qualquer abraço! que me pegou em cheio.
E agora, ao escrever estas palavras, a estranheza toma conta da minha alma e a saudade é tanta...que não sei mais do que tenho saudade e isso  é o que me dói mais!
Inácia Costa


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Num tempo me que se discute tanta política - o bom e mau, o bem e o mal

     
     
    Num meio-dia de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se longe. Tinha fugido do céu. Era nosso demais para fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu tudo era falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego com cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas - Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque nem era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter. Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E que nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça! Um dia que Deus estava a dormir E o Espirito Santo andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o sol E desceu no primeiro raio que apanhou. Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E porque toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias. A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando agente as tem na mão E olha devagar para elas. Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar para o chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espirito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou - "Se é que ele as criou, do que duvido." - "Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso se chamam seres." E depois, cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda a certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro. E a criança tão humana que é divina É a minha quotidiana vida de poeta, E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre. E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo. A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena. A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas. Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda. Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo o universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la cair no chão. Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comércios, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do Sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos os muros caiados. Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu. Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate palmas sozinho Sorrindo para o meu sono. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... Esta é a história do meu Menino Jesus. Por que razão que se perceba Não há-de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam ?
    Alberto Caeiro



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dor de parto? que nada! dor de mãe

Todos falam da dor do parto como a pior dor que uma mulher pode sentir. Que nada. A pior dor é a dor de mãe. Essa dilacera a carne como se a navalha estivesse cega. Como ver um filho sofrer e  seguir conselhos tipo:
vai em frente - ele já tá bem grandinho - é chantagem - é isso mesmo que ele quer, que vc pare sua vida e viva a vida dele. Já escutei tanto estas palavras.... mas não adianta bom senso, não adianta ter estudado. Não adianta NADA!!! é uma dor que não se tem conhecimento se não sentí-la (torço pra que poucas  mães a sintam)
Mas eu estou sentindo essa dor e não sei como fazer para que pare. Não tem remédio!!! não tem médico!!!
Só tenho que ter paciência e esperar na minha dor que meu filho acorde e veja que a VIDA pode ser bem melhor e será..... mas enquanto isso, como não tenho ombro pra chorar, choro aqui em letras emendadas na intenção de darem significado a minha dor.
Como dói!!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

nem sempre é fácil o jogo da vida

  A vida o tempo inteiro nos testa! testa a nossa paciência, nossa tolerância, inteligência, prudência e por aí a fora.....
A vida nos é dada simplesmente....somos içados do útero materno e lançados como dados no mundo. Como saber lidar com esse não saber!!!
A cada instante somos testados, confrontados, amedrontados, presenteados... jogados ao acaso como num jogo de dados.
Quero acertar! quero ganhar! quero entender!!
Mas hoje, ou sempre, sei lá! soube aquilo que todos sabemos: nada sei, porque o jogo da vida nunca dá o mesmo lado do dado pra todos e aí me perco tentando acertar o que talvez não tenha acerto... só compreensão.
Então eu peço: Meu Deus dai-me a compreensão que preciso e a serenidade que me fará compreender
 
Inácia Costa

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

achados dos meus livros... sempre por perto

Cegueira Bendita

Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago…
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho…
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!…
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
Florbela Espanca - Trocando olhares - 24/04/1917

  

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Filosofar


Um pouco de poesia!

Saio para fora da minha vida,
e sou recebida por uma lua cheia...
que ilumina um novo caminho. Uma nova vida.
Meus pés andam sem pressa,
iluminados por raios prateados...
aquecendo e fazendo correr mais rápido
meu sangue, sonhos e vontades.

Inácia Costa

quarta-feira, 21 de julho de 2010

saudade

Hoje é um dia que me traz saudade de um dia que não estive presente... e esse dia era dia de despedida de uma pessoa muito especial. Sei que os sete anos que já se passaram, não são capazes de apagar essa saudade. Não estive presente num momento tão importante na minha vida e na vida dos meus filhos... mas tenho certeza que aonde quer que essa pessoa esteja, ela sabe o quanto o amei... talvez um amor estranho neste mundo de paixões. Meu amor por ele é um amor que não tem dimensões e que atravessa a eternidade. Feliz aniversário nesta nova estrada que certamente é cheia de luz!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Falar de si própria é difícil.... pois a cada instante acrescentamos ou tiramos algo de dentro de nós. Talvez uma biografia curta seja:
Sou uma estrada cheia de passos que foram adiante e também passos que retornaram e outros que nem pisaram no chão dessa estrada  e ainda estão a procura de um chão que seja sinônimo de colo...
Sou afeto, alegria, tristeza e rebeldia.
Mas posso dizer em poucas palavras o que sou: uma estrada cheia de espaço pra caminhar, compartilhar e dividir...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

filosofar: solidão até na net!!!

filosofar: solidão até na net!!!

solidão até na net!!!

Solidão. Uma palavra... simples palavra.
Será que por ser tão simples, essa palavra nos faz sentir um vazio difícil de ser preenchido?
Quando criei este blog achei que era uma forma de dialogar com as pessoas que por razões da vida, se encontram distantes fisicamente. Mas que nada!
O diálogo não existe. A solidão é a conclusão da vida!
A vida é a solidão em si. O simples é difícil de aceitar!
Queremos significar palavras de sentido... quando na verdade a palavra é o próprio sentido.
SOLIDÃO = VIDA, simples assim.
Inácia Costa





S

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sem título!!!

Hoje tá um dia muito estranho.... saí de casa com frio. Com saudades das cobertas.
No meio da manhã era a saudade do frio, das cobertas! Fez um calor de janeiro.... de repente a chuva caiu e pegou sem guarda chuva( se escreve assim?) e mais uma vez senti saudade das cobertas, senti frio...e quando já me conformava com a chuva, de novo o céu ficou azul e o calor voltou... e aí, foi a saudade do calor de um abraço, qualquer abraço! que me pegou em cheio.
E agora, ao escrever estas palavras, a estranheza toma conta da minha alma e a saudade é tanta...que não sei mais do que tenho saudade e isso  é o que me dói mais!
Inácia Costa


segunda-feira, 29 de março de 2010

O Pink Floyd está certo!, Regis Tadeu via Yahoo! Colunistas

O Pink Floyd está certo!, Regis Tadeu via Yahoo! Colunistas: "

Integrantes do finado grupo britânico vencem batalha contra sua própria gravadora e preservam a integridade artística de seus discos.

"

quinta-feira, 18 de março de 2010

Lembranças


E a criança chorou. Reconheceu a dor a muito esquecida nos risos do dia-a-dia.
Lembrou-se das vontades negadas e dos sonhos não erguidos.
Sentiu na pele o arrepio do medo. Um medo enorme!
Medo de desejar um olhar, nem que fosse um olhar zangado. Mas a criança queria
mesmo era um olhar compreensivo. Um olhar de encorajamento aos seus desejos.
Eram desejos tão bonitos!
Não conseguiu nunca descobrir esse olhar.
Nunca a olharam com compreensão... E com essas lembranças, a criança chorou. E chorou mais ao perceber que a falta desse olhar, a fez esquecer de olhar para si mesma com compreensão.
E agora, não é mais a criança que chora e sim a mulher. Hoje chora pela criança escondida na mulher que não sabe mais que olhar quer, mas sente arrepios de medo de nunca mais se importar em desejar.

Inácia Costa

quarta-feira, 17 de março de 2010

Doce de Nozes

terça-feira, 16 de março de 2010
Doce de Nozes
Minha cabeça dói e meus olhos vão ficando, aos poucos, cegos.
Mas as letras não se apagam, não ficam turvas... estão ali! mostrando-me os homens e seus filósofos; os homens e seus dogmas... os homens e suas hipóteses!!!!
Minha cabeça dói e meus ouvidos, aos poucos, vão ficando surdos. Os sons não se calam, não desafinam... estão ali! impregnando-me de músicas, de falas, de apelos de homens cheios de "boas intenções".
Minha cabeça dói e meus dedos estão aqui: tentando não traduzir as letras; os dogmas; os filósofos; as músicas; as falas; os apelos... as boas intenções. Percebo que não existem hipóteses!
Quero jogar fora os dados. Todos os dados que ainda não lancei e, só dar mais um passo... talvez um salto sobre o abismo, presente neste último pensar.
Quero descobrir a verdade encoberta por tantas ideias; tantas razões; tantas éticas, religiões e por tantos homens. E que num breve instante consiga vislumbrar nesta confusão , dores e desejos, minha alma como sendo a mesma alma desses homens pensados por mim.
E nesse silêncio de falas, ditas num mundo cheio de gentes virtuais. Em telas, traduzidas no caos... escuto esse silêncio que por segundos me parece puro doce de nozes.

Inácia Costa

quinta-feira, 4 de março de 2010

Mistério



Falta-me dar o passo da busca,
do que me falta sempre.
Milênios.
O amor que idealizei, no devaneios
de amor de uma jovem senhora.
Mistérios.
A ferida dos desejos abandonados,
pelas praças, cirundadas por avisos:
PARE!
Falta-me dar o passo e pisar nos avisos.
Desvendar os mistérios.
Sentir a juventude.
Abrir-me!
Descortinar os milênios percorridos,
pela criança, pela jovem senhora
e ver...
Sentir a primeira lembrança...remota mensagem:
SIGA! ULTRAPASSE!
Inácia Costa

quarta-feira, 3 de março de 2010


As vezes sou pétala,
outras espinho.
Meu perfume pode ser jasmim,
como pode ser pele.
Meu amor é como serpente e também igual ao da pantera, que ataca sua presa.
Meu livro preferido tem em suas páginas a minha vida,
e sempre há uma página em branco esperando o próximo instante.
Os sonhos realizados foram feitos no meu ventre, e têm nome de anjos.
A fé que trago dentro de mim se chama Deus.
Meu caminho é livre, mas, às vezes, quando entro numa curva, vejo pedras,
e são elas que me ensinam a cair sem me ferir.
Inácia Costa

perdi minha pequetita




Acabei de saber que minha pequetita (minha cachorrinha) morreu!
Não ouvirei mais seus latidos "ardidos" de alegria de me ver chegar.
Não vou ver mais seus olhos me olhando agradecendo, pedindo por carinho. Quantas vezes me irritei com ela? e ela só queria carinho.
Será que fui capaz de dar o carinho que ela precisou? acho que não.
Só nos damos conta do que poderíamos ter feito mais, quando não temos mais como fazê-lo.
Tô triste!

" O cão é a virtude que, não podendo fazer-se homem, se fez animal"
(Victor Marie Hugo)

hoje, acordei menina


Desde de menina sempre me perguntava se todas as meninas viviam como eu. Sonhavam como eu. Se meus medos, dores, alegrias, eram comum a todas as meninas do mundo.
Hoje sei que essas perguntas ainda continuam sem respostas, que possam me esclarecer como cheguei até aqui, apesar dos medos , das dores, das alegrias. Os meus sonhos continuam os mesmos!
A pergunta continua a mesma da menina, hoje mulher.
Será que todas vivem, sentem os mesmos sentimentos e se perguntam: como cheguei aqui?

Inácia Costa

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

cruz e ponte!!!

Se penso em cruz imediatamente vem no pensamento a imagem de uma cruz (são arquétipos comuns a todos (Jung)?), mas quando penso numa ponte, a imagem que me vem pode também ser uma cruz! vai depender do que essa ponte significa ou significou naquele instante em que pensei na ponte. Enfim.
Hoje quando pensei numa ponte a imagem, a sensação que me veio foi a mesma que temos quando nos referimos a palavra cruz. Para alguns a libertação, cheia de leveza, de esperanças, para outros a prisão com todo o peso, culpa...vazio. A ponte que pensei tinha esses dois pesos: libertação e prisão.
A minha ponte (pensada) não era de concreto, ferro, madeira.... era uma saída, uma esperança....era o desejo "insignificado" e cheio de significados. Era a ponte que meus pés pisariam sem medo, por saber que ao final, não era o abismo que encontraria e, sim, a relva fresca de uma manhã orvalhada. Mas logo depois veio-me ao pensamento que esta ponte poderia me levar pra longe! que poderia levar-me para silêncios impenetráveis, mistérios que para mim não são mistérios e sim segredos - os meus segredos - alguns carregados de culpas! como a cruz cristã, tão cheia de significados, minha ponte também.
Que doideira!!!
Tenho que botar os pés logo nessa ponte e ver nela e aceitar nela, todos os significados... mas tenho que atravessá-la!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

sem luz!!! e o céu brilhando de estrelas e lua crescendo

Cheguei em casa e tava tudo escuro... a luz tinha acabado e me lembrei de quando era criança e tinha medo de escuro. Acho que toda criança tem medo de escuro. Bem, agora que sou adulta não é o medo do escuro, daqueles infantis, onde tinha medo de bicho papão, homem do saco, fantasmas... de não encontrar minha mãe. Não ontem o medo era do silêncio! percebi que o som da TV ajuda a acharmos que não estamos sozinhos, que aquelas vozes e imagens fazem parte do nosso cotidiano, é como se fossem da família. Fiquei pensando no tempo em que não tinha TV na minha casa e como era bom. Conversávamos, inventávamos brincadeiras.... ontem o diálogo era lacônico: sim, é, não, não sei.... resolvi dormir e hoje quando acordei pensei: porque tanto medo de ficar sem luz? a falta da luz elétrica não impediu os grandes pensadores de descobrirem e criarem conhecimentos que hoje nos fazem achar que tudo é tão simples.
Sei lá, ontem percebi o quanto sinto falta de conversa, de brincadeira e até de sentir o medo de criança... ontem tive medo do silêncio!!!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Posted by Picasa

repensando o que devemos desculpar


Sempre antes de dormir, ou quando estou dirigindo, me veem pensamentos que me parecem tão fáceis de colocar no papel. Têm início, meio e fim... mas no papel sempre me parece difícil a primeira letra, a primeira vírgula... o ponto final? esse nunca aparece.
Ontém foi um dia de pura reflexão: vida, filhos, amigos, família, política, fé.... meu filho me pediu pra escutar uma composição que tinha feito no violão, foi lindo, foi triste e forte. Daí veio todo esse turbilhão de pensamentos sobre como e quando devemos pedir desculpas, nos desculparmos. Como saber a hora certa?!
Fui dormir com essa sensação de incerteza, de vontade de voltar no tempo e pedir desculpas pra tanta gente. Quantos passaram por mim e só queriam um sorriso? um abraço? uma palavra...um beijo! e eu tão certa das minhas certezas, não sorri, não abracei, palavras? essas nem as tinha. Beijos! que beijos se não sabia do desejo.
Ontém tive vontade de botar meu filho no colo e voar com ele ao encontro do meu outro filho e juntos pedirmos desculpas uns aos outros e ficarmos abraçados pela eternidade de uma nota musical perfeita.... os dedos de um ao violão, do outro ao piano e a minha voz...ah! a minha voz diria os poemas mais lindos e contaria as histórias mais fantásticas que já foram criadas. E assim, hoje não estaria ainda com essa vontade.