quinta-feira, 18 de março de 2010

Lembranças


E a criança chorou. Reconheceu a dor a muito esquecida nos risos do dia-a-dia.
Lembrou-se das vontades negadas e dos sonhos não erguidos.
Sentiu na pele o arrepio do medo. Um medo enorme!
Medo de desejar um olhar, nem que fosse um olhar zangado. Mas a criança queria
mesmo era um olhar compreensivo. Um olhar de encorajamento aos seus desejos.
Eram desejos tão bonitos!
Não conseguiu nunca descobrir esse olhar.
Nunca a olharam com compreensão... E com essas lembranças, a criança chorou. E chorou mais ao perceber que a falta desse olhar, a fez esquecer de olhar para si mesma com compreensão.
E agora, não é mais a criança que chora e sim a mulher. Hoje chora pela criança escondida na mulher que não sabe mais que olhar quer, mas sente arrepios de medo de nunca mais se importar em desejar.

Inácia Costa

Um comentário:

  1. Falar de si própria é difícil.... pois a cada instantes acrescentamos ou tiramos algo de dentro de nós. Talvez uma biografia curta seja: sou uma estrada cheia de passos que foram adiante e também passos que retornara e outros que nem pisaram no chão dessa estrada.... estão a procura de um chão que seja sinônimo de colo...sou afeto, alegria, tristeza e rebelde. Mas posso dizer em uma palavra o que sou: uma estrada!

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