E a criança chorou. Reconheceu a dor a muito esquecida nos risos do dia-a-dia.
Lembrou-se das vontades negadas e dos sonhos não erguidos.
Sentiu na pele o arrepio do medo. Um medo enorme!
Medo de desejar um olhar, nem que fosse um olhar zangado. Mas a criança queria
mesmo era um olhar compreensivo. Um olhar de encorajamento aos seus desejos.
Eram desejos tão bonitos!
Não conseguiu nunca descobrir esse olhar.
Nunca a olharam com compreensão... E com essas lembranças, a criança chorou. E chorou mais ao perceber que a falta desse olhar, a fez esquecer de olhar para si mesma com compreensão.
E agora, não é mais a criança que chora e sim a mulher. Hoje chora pela criança escondida na mulher que não sabe mais que olhar quer, mas sente arrepios de medo de nunca mais se importar em desejar.
Inácia Costa

Falar de si própria é difícil.... pois a cada instantes acrescentamos ou tiramos algo de dentro de nós. Talvez uma biografia curta seja: sou uma estrada cheia de passos que foram adiante e também passos que retornara e outros que nem pisaram no chão dessa estrada.... estão a procura de um chão que seja sinônimo de colo...sou afeto, alegria, tristeza e rebelde. Mas posso dizer em uma palavra o que sou: uma estrada!
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